"Não posso negar o que já li, nem esquecer onde vivo. Nego-me a folclorizar meu subdesenvolvimento para compensar as dificuldades técnicas." ( Caetano Veloso )
" A imensa periferia murmúra milhares de mensagens abafadas" ( J.F. Lyotard.)
“por não ter consciência do que faz e não apresentar claramente o seu saber, o poeta trágico será desvalorizado, desclassificado pelo saber racional.”1
Minoridade - O que é um saber menor? Aqui, procuramos compreendê-lo como um saber subalterno ( ou dominado, subordinado ) no sentido em que Foucault o define, a saber:
1º “ conteúdos históricos que foram sepultados, mascarados em coerências funcionais ou em sistematizações formais”. ( Eis o que aconteceu com as “modalidades da sensibilidade”. Por essa expressão, Marc Jimenez, entende: “ o desejo não-dominado, paixão selvagem, procura desenfreada de gozo”. Jimenez p. 24, as modalidades são os conteúdos históricos sepultados. )
2º “ uma série de saberes que tinham sido desqualificados como não competentes ou insuficientemente elaborados: saberes ingênuos, hierarquicamente inferiores, saberes abaixo do nível requerido de conhecimento ou de cientificidade.”
1MACHADO, Roberto . Nietzsche e a verdade. pg. 35. Rio de Janeiro: Rocco, 1984.
" A invenção não é prerrogativa dos grandes gênios, nem monopólio da indústria ou da ciência, ela é potência do homem comum ( Tarde/Lazzarato ). Todos e qualquer um inventam, na densidade social da cidade, na conversa, nos costumes, no lazer – novos desejos e novas crenças, novas associações e novas formas de cooperação.” ( Peter Pal Pelbart )

É só você olhar mais de perto. E verá que se trata de pequenos monstros. Aterrorizam, não por conta de uma força física – uma pisada poderia esmagá-los. Mas pela feiura. Porque já estavam lá, mesmo antes de podermos imaginá-los. Repugnam e ao mesmo tempo nos fascinam. Eles estão por ai e surgem de repente, nas paredes, nos jardins, entre os livros de nossas bibliotecas. São traças, pragas, blattas as mais miseráveis, coisas, cascas acastanhadas – isso também nos assusta: que vejamos alguma beleza no lustre de asas ojerizas. Os carrapatos com toda estratégia. As pulgas por entre as frestas. Sabe, toda essa coisa que teimamos ignorar? Elas andam por ai...aos milhares, ao milhões...e sem que tenhamos percebido, tomaram nossa casa...
“ Sim, o Império está doente e, o que é pior, procura habituar-se às suas doenças. O propósito das minhas explorações é o seguinte: perscrutando os vestígios de felicidade que ainda se entrevêem, posso medir o grau de penúria. Para descobrir quanta escuridão existe em torno, é preciso concentrar o olhar nas luzes fracas e distantes.”
( Ítalo Calvino – As cidades Invisíveis )